Viagem do Pensamento
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Eu queria estar agora Tomando um banho de sanga Saboreando uma pitanga E ouvindo um sabiá cantor Soando canto de amor Da sua garganta de ouro E apreciar este tesouro Que é obra do Criador.
Eu queria estar agora Na estância em que fui criado Numa marcação de gado Alcançando a marca quente E golpeando uma aguardente Pra espantar o frio do minuano E chulampeando um tutano Pra reforçar o vivente.
Eu queria estar agora Tomando o meu chimarrão Sob a quincha do galpão De pau-a-pique barreado Ouvindo o berro do gado Este som que dá saudade Do tempo da mocidade E do pampa, onde fui criado.
Eu queria estar agora Lá no velho Quaraí Que morei quando guri Bem na costa do Pai Passo Num pago flor de buenacho De gente boa em quantia Eu era feliz, e não sabia, Neste lugar bagualasso.
Eu queria estar agora Numa tosquia de ovelha No velho galpão de telha De pura pedra empilhada Com a frente escancarada Bem no estilo pampeano Para abrigar do minuano Os cavalos e a peonada.
Eu queria estar agora Unindo os bois numa canga Pra puxar água da sanga Pra encher pileta e banheira Serviço de peão caseiro Que eu fazia quando piá Que saudade que me dá Do tempo que fui campeiro.
Eu queria tudo isso Mas isso é coisa passada Mas é a saudade malvada Que nos machuca aos pouquinho Mas me lembro com carinho Pois tudo isso eu fiz Mas sou um homem feliz Tenho saúde e meu ninho.