Alma em Verso
Poesia

4. Carrossel – Vítor Bielaski

Vítor Bielaski

I Estância da Poesia Crioula - VirtualPublicado em

Gira-gira da memória De um tempo que hoje é distância Carrossel de fantasia Na magia da minha infância Volteando e rangendo aos poucos No velho armazém da estância...

Antigo baleiro encantado Girando e girando sonhos De merengues, caramelos, Rapaduras e outros doces Expostos pra gurizada Nos muitos balcões de antanho.

Adentrando no bolicho Era sempre o mesmo olhar Buscando o baleiro antigo Em seu ranger e voltear E despertar o desejo Da minha alma de piá.

Tinha de tudo um pouco Na venda daquele amigo Que hoje já é finado. Com um jeitão meio brabo Pra esconder o sorriso Pois a fala só não era mansa Quando sentia o perigo.

De corda até fumo em rama, De pilha até urinol, Fazenda, farinha e milho, De Erva de mate até anzol, Carretel para a pandorga, Feijão e baralho espanhol.

Mas a dança do baleiro Era só o que eu via na frente. Cada doce mais doce! Tanta coisa diferente! Sete belo e puxa-puxa Pra desmanchar entre os dentes.

A lembrança mais distante É a do colo do avô Batendo uns níqueis na mesa E arrodeando o expositor Mandando que eu escolhesse O que mais me agradou.

Depois de crescer um pouco, Já me achando “o mocito” Cruzava a galope a picada No lombo do meu petiço Pois me sentia um adulto Indo na venda solito.

Um dia, não lembro quando, Nem quanto tempo já fez Fui no bolicho depressa Escolhi mais uns doces ou três E acenei pra o bolicheiro Pela derradeira vez.

Crédito da fonte: Gira-gira da memória