Alma em Verso
Poesia

Casta

Xirú Antunes

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me alcançam tuas penas gaúcho, quando descubro silêncios pelo cansaço das horas, quando minhas cismas se alongam ao recorrer as estrelas, e esta existência terrena encontra insônias de fogo.

onde andaras fazendo fronteiras entre estrelas e arreios, apenas escuto fantasmas nas casas grandes das estâncias a brincarem de rio grande nas campeiras madrugadas.

me alcançam tuas penas gaúcho, nobre sobrevivente do “rio de la plata”, changador, tropeiro, carregador de distâncias das missões a buenos aires, da fronteira ao litoral, e os sinos da catedral da santa cruz de lorena.

um caminhante que traz querências nos olhos de geografias e rastos, de semblantes desconfiados dos manejos dos baralhos sobre palas estendidos onde haviam vencidos com trucos mal envidados.

por vezes os olhos tensos de ver crianças no setembro brincando com as pitangueiras sem saber que o destino que tem o tempo nas mãos lhes roubaria a infância e a primavera da estância com flor de trevo no chão.

de ver moradores dos matos com negrumes nos cabelos e guarani nos seus lábios mendigando sua essência, das catedrais as taquaras, os olhos estilhaçados com esperanças dormidas pelos pousos das estradas.

multiplicam-se as distâncias do galpão a casa grande, pela investida dos passos garroneiros e estreleros da tua alma ameríndia que trouxe o fiel testemunho do tempo com seus rascunhos, pra o alicerce da vida.

enquanto tuas penas me alcançam nas minhas cismas de fogo, um velhito se anuncia, lentamente, com timbres de quero-queros, abre a cancela e empurra o baio.

traz agostos sob o poncho e o sossego das cacimbas na bendita teimosia de andar abrindo cancelas na serenata do sol.

guarda esperanças antigas com mistérios de galpões e as razões de tanto inverno prenunciando em voz de vento envelhecendo geadas nas crinas brancas do tempo...

e me agradece de úmidas retinas por falar do seu avô.