Depois da Terra e dos Galpões
Pelos galpões da Querência vi homens rondando agostos com olhares de setembro, adivinhavam seus medos pela orelha do cavalo e gritos de quero-queros, e salpicados de estrelas, bebiam céus de silêncio!
Sacramentei minhas nuances, embaladoras de bastos, na infância do cavalete sob o teto do galpão, como se fossem orações no entardecer da minha alma, porque sementes de pasto brotavam em meu coração.
Depois dos galpões da terra Terei meus olhos tropeiros miradores de horizonte rastreando o chão das estradas, com a alma branca nas tardes e um coração de querência, ressonando em tempo gasto, pela inconstância do tempo?
Se retornar pelo tempo, na forma das criaturas, terei a mesma alma gaúcha da terra que me moldou, serei voz rouca de avô e infância linda de neto, serei o jeito e o gesto que em outra vida faltou?
Escutarei o “sorzal”, recostado em algum basto, repetido de consciência cismando no meu compasso, serão meus olhos tropeiros com impressões da matéria, cuidando a alma dos filhos, em comunhão com a terra? Terei visões das heranças, terei ventos na memória, e os ciclos da minha história terrestres por descendência, flutuarão na consciência erguida em cada silêncio, nas partituras dos ventos, pelas rodas das carretas?
Pelo que sinto e o que sou, condição de três Pátrias, retornarei ao chão bugre, que a mim batizou, pois estas raízes terrunhas, transcendem ao tempo gasto, por terem memórias de pastos, e da poeira dos galpões!
E contrariando as visões, retornarei pelo tempo, na forma das criaturas, tendo a mesma alma gaúcha, da terra que me moldou, serei voz rouca de avô, e infância linda do neto, serei o jeito e o gesto, que em outra vida me faltou!