3 De Quando a Noite Tem Boca
II Tertúlia da Poesia - Santa MariaPublicado em
A boca da noite tem vozes sussurrando entre os moirões ecoando pelos grotões num discurso abarbarado "O passo mal-assombrado. depois do poço do Nico; La-pucha, chomico..." - O causo me deixa tonto, a boca da noite tem contos nos sono tico-tico...
A boca da noite moça Veste um luxo de matizes carrega o pio das perdizes que se escondem das raposas traz o fulgor das esposas escondidas entre os lençóis que, com fogo de mil arrebóis incendeiam corações iluminando os galpões lar de covardes e heróis...
Na boca da noite madura há quem diga que reverberam cantigas de califórnias ocultas vozes ha muito sepultas voltando sempre nos ventos dizem que são os lamentos de mil almas indormidas que um dia deixaram a vida partindo antes do tempo...
É bueno abrir os ouvidos para ouvir a boca da noite... Há vozes que sao açoites e outras, canções de ninar porque basta ela chegar pelo ermo dos rincões que a sanga das emoções derrama-se em nostalgias lavando a grama macia do campo dos corações...
Já ouvi, pela boca da noite que o urutau agourento traz sempre a morte nos tentos pra quem cruza seu caminho por isso quando sozinho repassando os alambrados espio meio assombrado para o horizonte em brasas e minha alma ganha asas nas patas do meu tostado...
Nunca que a boca da noite me pega nessas picadas quartel de almas penadas proseando causos de antanho esse proscrito rebanho evito sempre que posso vou descansar os meus ossos na segurança do galpão junto de um fogo de chão debulhando um padre-nosso...
Não que a boca da noite me faça perder o tino ou que um medo brasino me traga sempre mais cedo vou lhes contar um segredo que hoje me palpitou mesmo taura como sou temo que essa boca encardida acabe sussurrando pra vida Que o meu tempo chegou!