O Punhal que Me Feriu
O punhal que me feriu, não foi por mão inimiga, nem por ofensa ou intriga... Era inocente o seu fio.
Não foi pra causar o mal, ou intenção de cortar... Foi pela ânsia de amar que sangrei neste punhal.
Fiz meu próprio ferimento quando dei meu coração pra que o fogo da paixão queimasse a carne, por dentro.
Fui além das incertezas por horizontes sem fim, andei perdido de mim, no breu das minhas tristezas.
Porém, o tempo perdido, talvez sirva de consolo... Quem não amou, feito um tolo, pode até nem ter vivido.
Às vezes me recomponho, por outras, viro destroços, quando o inverno gela os ossos e a noite emponcha meus sonhos.
Mas a luz de um novo dia virá despertar meu rancho e o teu perfume, em meu poncho, será minha nova poesia.
Que palavra tem a chave, do cofre das ilusões...? Quem decifra os corações dos amantes?... Só Deus sabe!
Sou feito de sentimentos, a razão é só cabeça... Se o coração desembesta, leva a razão presa aos tentos.
Aprendi secar meu pranto recompondo velhos poemas neste calvário de penas... Onde me perco e me encontro.
Morte lenta, alucinada, livre arbítrio da paixão de quem usa o coração contra a lâmina afiada.
O punhal que me feriu, não foi punhal de verdade, foi o punhal da saudade... Sem corte, sangue, nem fio...