Alma em Verso
Poesia

Nos Olhos de uma Saudade

Adriano Medeiros

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São estas tardes assim Que me fazem pensador. Lúgubre! Percorro a estrada Menos caminhada. A dos meus adágios.

Fecho um palheiro a preceito, E vou tomando um mate, bem sentado. De fronte ao galpão da estância.

O sol se "planchando" no horizonte. O vento vem escabelando os cinamomos Na frente do potreiro.

E como as folhas... Meus pensamentos vão caindo No chão dos meus recuerdos. E dançando soltos.

Uma a um.

Ainda vejo alí. Prostrado, Bem no recôncavo Onde o cusco fazia a sua sesta.

Um guri, José... Nome de pai, Jesus... Nome de filho, Da Silva... Ali do Caverá.

Brincando com sua tropa miúda. Toda feita de ossos de cola E de garrão.

Este guri era eu, Num atavismo intrínseco, Arraigado em sua sublime Inocência de piá.

Correndo atrás do guacho de cola comprida, Esperando o pai vir com os ovos de quero-quero, Guardados na copa do chapéu.

Sem saber que rumo à vida aponta A cada um de nós.

O mate ronca e me traz de volta. Prendo o grito pro Claudionor: -Tu que não é canhoto Encosta a cambona no tição, Que eu vou dar um tombo Na erva.

Aproveito e vou Buscando outro recuerdo. Lembrando a minha juventude. A primeira doma.

Uma zaina pata branca, Que era do filho do meu patrão. Bocal com rendilha, Basto paysandu, E relho de papada de touro.

Tudo que eu precisava Pra primeira pega.

Vinte e um dias e... Pronto pra montar, Mais três sovas E só faltava pedir bênção Pro dono.

Saudade é a falta do passado, Que se materializou Na memória do presente.

Mas não troco As minhas lembranças por nada!

Meu pai compartilhou comigo, Os segredos e rumos Dos bons conhecimentos Da lida campeira.

E assim aprendi, Fui crescendo e vendo como as Coisas se procedem...

Os ensinamentos Estiveram sempre presentes... O "Buenas Tardes"! Sempre foi cobrado, Assim como Os ensinamentos do laço.

Meus pais foram meu espelho... E minha rocha forte, Assim como sou para os meus.

O tempo passou açodado, O contragolpe dos rumos E a beligerância das coisas, Fizeram-me homem.

Hoje sou um prócer dos meus rebentos.

E tudo que passou me serviu, Pois tenho uma vida profícua Aqui no campo.

E não abandono à campanha por nada! Ela é ingente... E como tal serve para meus filhos. E pros filhos dos meus filhos...

A minha "pátria chica"! Vejo que, Tudo que me trouxe até aqui Faz parte de mim.

A minha vida é esta! Campo... Essência de tudo, Meu início, Meio e fim.

Assim como meus pais... Junto com a minha mulher Criei meus filhos.

Sou grato, Ao verde da pampa, Ao azul do céu, Ao vento na cara!

Sou gaúcho de fato! De alma pampa, Inteira...

O ontem me mostrou, Que a querência É o mundo da gente.

Olhei nos olhos da saudade E vi que não estava mais só, Esta estava junto a mim.