A Menina e os Pirilampos
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O sonho galopava a juventude Por um tapete verde-musgo iluminado Quando a noite anoitecia as suas cortinas Para outra cena de contos e quimeras... No palco - Uma menina coadjuvante, Com linhas de luzes cintilantes, Tecia o manto de suas primaveras!
Nesse mundo de magos faz-de-contas, criava asas de plumas e de buscas para planar no céu de tochas coloridas, entre os rumos alados da utopia! A vida - Um sabor de liberdade A infância- Uma juvenil felicidade A noite - Uma abstrata fantasia!
Da porteira grande ao patamar "das casas" havia um mar de verde que ondulava nas pontas flexíveis do capim... Um barquinho de sonhos à deriva, uma comandante pequena sobre a estiva e a tripulação de anjos querubins!
De pés descalços sobre a noite morna pisava sonhos lindos pelos campos, polinizando a vida e a inocência, qual borboleta que se atrai por lumes... O azul dos seus olhos cintilavam com os reflexos dos fogos que brilhavam na Via-Láctea universal dos vagalumes!
Era um céu quimérico, iluminado pelos fachos das pequenas criaturas que traziam o infinito das lonjuras em uma pequena e doce vastidão... Nessa magia de estranhos fogaréus, ela juntava pedacinhos do seu céu para que fossem estrelas no seu chão!
Entre as asas dos brilhosos companheiros, sua aura feliz também brilhava do lusco-fusco intermitente que ofuscava nesse etéreo e imaginário firmamento... Cada brilho que fechava sob a mão era um troféu de luz, quase oração, que ela soprava, eufórica, no vento!
Mas... Tudo que fascina atrai os olhos para buscas maiores e constantes... Uma noite percebeu que lá adiante, onde o horizonte beijava o chão dos campos, havia uma outra galáxia imensa, com luzes fascinantes, mais intensas que o piscar desses meigos pirilampos!
Havia um outro mundo encantado alémda porteira e o patamar "das casas"! Aquele luzeiro que clareava em brasas irradiava outra energia de ansiedade... Curiosa, no portal de sua janela, imaginava brincar com a luz aquela que todos chamavam de cidade!
Então... Avida galopounoutra aventura e deu malas de garupa à despedida... A metrópole de luzes coloridas devorou todo o deslumbre da menina... Omundo feito em fátuos megatons, encoberto sob o brilho dos néons, apagou suas antigas lamparinas!
Agora mais madura, já mulher, nos vitrais do escuro apartamento, já não vê mais a luz do firmamento no céu dos seus olhos, refletida, apenas alguns brilhos do desgosto que rolam incontidos pelo rosto, nos reflexos de uma lágrima caída!
Lá no campo os verões seguem luzindo no braseiro dos pequenos candeeiros que voam tresloucados no terreiro, irradiando a mesma luz, mesmos perfumes, pois ainda trazem, nessas noites calmas, a beleza e a inocência de uma alma alma que a menina deixou nos vagalumes!
Embora, naquele campo, entre a porteira e o patamar "das casas" não tenha mais quem corra atrás das asas que inundam luz no céu da escuridão e, na magia dos estranhos fogaréus, já não há quem junte pedacinhos lá do céu para que sejam estrelas aqui no chão!