Meu amor Pertence a Terra
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Meu amor pertence à terra, É o jeito como eu a quero, É quase como um carinho, É um amor que não termina, Começou a tanto tempo Que eu vivo de quero-quero, Sentinela do caminho, Como cumprido uma sina.
É no campo que respiro, Me refaço dos tropeços, (muito tempo na cadeira, que a cidade nos condena.) mal chego ao meu retiro, cada coisa que conheço já vem, de alguma maneira, aliviar a minha pena.
Vou ao galpão dos arreios. Lá, sim, o cheiro de cordas, Agre- doce pela graxa, Vai dilatar meu pulmão. Então tiro meus aperos e os arrasto para fora. O seu contato relaxa com ternura de paixão.
Mexo em todos os arreios, Até o bastinho dos netos, Essa hora é que é a boa Passa tudo em minha mão. Retoco o sebo nas guascas Pra meia hora de sol. Seu que tenho uma lagoa No lugar do coração.
Que potrada! Deus a guarde, Eu nunca tive potrilhos Como esses, de tão lindos, Grossos, fortes, mansos, vivos. Na mangueira o peno os pega Um a um, para que eu veja, E os meus olhos lacrimejam Mas dissimulo o motivo.
Depois vou ver umas vacas, Inseminadas paridas, Terneirada macanuda Oriunda de cruzamentos.
Sintéticas- duas raças São Braford e o Canchim, Então eu olho pra dentro Meio orgulhoso de mim.
O serviço neste campo Foi tanto, que não tem conta. Gastei meus fins de semana, Como gastei meus cavalos. Por sorte os filhos se criaram E vieram revezar-se E agora criam seus filhos Com o mesmo amor ao trabalho.
Assim eu amo esta terra, Puro cerro de basalto. Mas ando muito emotivo Desconverso a ver se passa. Na tardinha, nada ajuda A aquietar-me a solidão... Uns banzos tomam de assalto Meu coração de basalto,
E eu evito olhar nos olhos Da minha eterna paixão.
O suor me tira a camisa, E ouço que os meus cavalos Vêm chegando numa encerra Que temos no parapeito... Seu cheiro vem pela brisa, É hora de eu ir pegá-los, São velhos pingos de guerra Que aposentei por direito.
Escolho um desses velhos, Que foi flor de montaria É um, baio da minha cria Que encilho sem apertar. Alço a perna devagar, Velhice mais desgranida Se meteu na minha vida Não tem mais como largar.
Montar mesmo, eu só consigo Subindo em cima de um banco E mesmo assim, me agarrando, Veja o que ocorre comigo, Me falta força na perna, Só faço hoje o que posso, E dou graças ao Pai Nosso Que a cabeça ainda governa.
Montando num desses pingos Tenho menos vinte anos, Eu e meu cavalo entramos Nesse milagre do tempo. Um peno junta-se a nós, E vamos ver os potrilhos, Que as crias do meu padrillo São como um sopro de vento.