Alma em Verso
Poesia

Aos Pioneiros da Vacaria

Arabi Rodrigues

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Um pouco mais da metade, deste século que passou; o serrano se levantou, ante o sonho, uma vontade, de ser, à luz da verdade: "um Martim Fierro de Hernandez". -Das escarpadas dos Andes, aos campos da Vacaria: surge a nova academia: o Porteira do Rio Grande. Outubro, cinquenta e cinco. serranos da cepa pura; só ergueram, pra cultura, com denodo e com afinco: "de marca, sinal e brinco", um conceito que se expande; pra que o gaúcho comande, além dos feitos de glória, este obelisco da história: o Porteira do Rio Grande. Era mais um, aos demais, à luz de "quarenta e oito" -"Bolacha não é biscoito". pro registro dos anais. -Possuir, nas credenciais, um bom exemplo pro meio, que servisse como esteio. dum feito que o povo adore: a projeção do folclore, numa festa de Rodeio. Primeiro, o "tiro de laço", a distração domingueira; na expressão da brincadeira mostrar a força no braço. -O tempo alargou o espaço, a vida ganhou contorno; o frio, foi ficando morno, ferveu, e virou ritual e o feito internacional, trouxe fama no retorno. Aos três anos, o Porteira, segundo, seus fundadores; mostrouo Rodeio, valores, além da reza caseira. Reuniu a cultura inteira: em três dias de cortejos. Com o tempo, esses desejos, passaram pr'uma semana; hoje em dia, nos irmana: quinze dias de festejos. Daquele primeiro arranco, campo fora, alma em punho; o tempo foi testemunho, do serrano sério e franco. Ao vê-lo, passear, ao tranco, num "pingo" de pêlo liso; o povo abre um sorriso, de mãos postas, sem chapéu. -Que vive perto do céu, já conhece o paraíso. Daqui por diante, os herdeiros, do laçador, do ginete; acharão sob malhete, a consciência dos pioneiros, os gaúchos verdadeiros: da rédea, laço e arreios, fizeram de seus anseios. pedra angular da existência, querer de pátria e querência, no Rodeio dos rodeios.