Recuerdo de Calaveira
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Eu era um frangote novo, crista curta e meia pua, quando não sei por que lua me deu cambiar de querência. Fui pelejar a existência para testar o penacho, que eu me julgava mui macho, me dava muita excelência. Enquanto ensilhava o baio, meu velho me aconselhava. Das regras que me ditava só mais tarde me inteirei. Naquele instante... não sei, mas não lhe dava tenência, por não saber que a experiência é a mais antiga das leis. Um dos conselhos que o velho foi me dando na partida: - que nunca na porca vida me aficionasse ao baralho. Mas eu, frangote bandalho, alarifaço e capeta, sempre que via carpeta mandava ao diabo o trabalho. Nos comércios de carreira, pelas carpas de ramada, só não copava a parada se andasse na tinideira. Mas um índio calaveira sempre encontra um mais folgado que não lhe usura uns trocados para envidar na primeira. Foi numa mesa de truco que um dia quase me atalho. Roubei um ás do baralho mas o contrário deu seca. E já vou levando a breca na boca de uma garrucha, e um tiro de queima-bucha por pouco não me sapeca. No primeiro manotaço, perdeu o negro a pistola, mas quebra de muita escola de pronto o facão arranca, mas dei-lhe um golpe de tranca de atravessado na testa - que mamão não entra em festa nem dança com gente branca! Vai daí que no bolicho tinha o negro a irmandade. La fresca, barbaridade! se parou feio o bochincho. Mas nunca perco o corincho quando se quebra o sossego, e a defender o pelego saí batendo paincho... Eram dois negros e um pardo, mais o dono do bolicho, que levavam por capricho fazer de um vivo um finado. E eu fui peleando apertado defendendo a passarinha - que eu não nasci pra bainha para morrer espetado. "Las armas son necessárias pero nadie sabe quando...". Martin Fierro vou lembrando, brigando sem embaraço, e a minha adaga de aço cortou o primeiro bucho numa cruzada de luxo que foi parar no espinhaço! Atirei terra na cara de um negrote mais afoito, - peleia não é biscoito que se come com café - e quando o negro deu fé tinha perdido uma orelha, fora um planchaço na telha que lo deixou tereré... Saí arrastando o pala já meio cheio de rombo, negaceando dar um tombo se algum de perto me ataca. Risquei o pardo de faca que desandou num berreiro; meio assim como um terneiro quando se perde da vaca. Que eu tirava da peleia já era o pardo o terceiro. Ficou só o bolicheiro batendo chapa comigo. E eu folgado, por castigo, fui lhe baixando a taquara, dando de pala na cara, fazendo cosca no umbigo! Mas o taura foi notando que eu não era pão de venda, e já de camisa em renda que nem pano pra faxina, dobrou a primeira esquina surrado que nem cachorro, correu, pedindo socorro, pra um mato de sina-sina... Foi o diabo! A estrepolia deu muito pano pra manga. No socavão de uma sanga me escondi naquele dia. E me botei a la cria tão logo se fez escuro, que depois daquele apuro já chegava de alegria...