Brigando Pelo Meu Rio
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Me paleteou a saudade Quando o assunto surgiu E vim defender meu rio Corcoveando de emoção. Fui buscar inspiração Junto à cadência da nota Porque o meu verso brota De dentro do coração. Ao chegar de Viamão Na hora do entardecer Eu me orgulho em dizer Que nos banhos de guri Quantas vezes eu vi O sol voltar das andanças E se banhar nas águas mansas Do meu Rio Gravataí. Por isso, desde piá, Sou amante da natureza, Ficava olhando a correnteza Que ao formar um caracol Me parecia um lençol Estendido no gramado, E o rio de tozo prateado Enfeitando o pôr-do-sol. Devia ser preservado O rio que o sol se banhou, Mas a sorte o condenou Desde que o homem surgiu E como num desvario Com o pensamento pequeno, Foram jogados veneno nas barrancas do meu rio Ao ver meu rio morrendo Eu fiz uma avaliação, Com tanta poluição Meu rio não pode viver. Predestinado a morrer Pela mão do malfeitor, E de que adianta o meu amor Se não o posso socorrer. Por isso eu venho pedir Aos mandantes da nação, Pois falar de poluição É loucura de poeta, Nossa lei não é correta Mas o governo se finge, Só ao pobre ela atinge E ao rico não afeta. Dizem que o poeta é louco por lutar de peito a peito, mas quando o verso é bem feito vence no primeiro assalto. E a poluíção que ressalto se gerou da ignorância pois ao tribunal da ganância o dinheiro fala mais alto. Eu queria que a juventude Fosse bem mais consciente, Olhasse pra o meio ambiente Vendo o valor que ele traz, Meu ego se satisfaz Com o dom e o privilégio De levar meu verso ao colégio Para escolar os piás. A rima xucra é um alerta Aos ilustres governadores, São tantos poluidores Com os seus anseios loucos, Queimando e arrancando tocos, Caramba, me dá arrepios, Pois assim como o meu rio Também vou morrendo aos poucos. E assim defendo o meu rio Que adoro desde criança, Só me resta uma esperança Que Deus tarda mas não falha, Eu derrubo essa muralha Com minhas palavras francas E aqui das tuas barrancas Fiz meu campo de batalha. E enquanto me restar vida A peleia continua porque quem tem sangue charrua Na conversa ninguém leva. Sou índio xucro e maleva Que nunca retrocedeu, E podem saber que eu Sou um guerreiro de brio Que brigo pelo meu rio Com as armas que Deus me deu.