Alma em Verso
Poesia

Rancho Costeiro

Antonio Ribas

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Eu que nasci na campanha Sou um gaúcho forasteiro Peão de estância, sou campeiro E ainda arrumei padrinho Não me casei, to solteiro Nasci pra viver sozinho E construí o meu ranchinho Beira do mato costeiro. Eu que tinha esperança Cheguei a realidade O meu rancho eu construí Com grande facilidade Beira do mato e da aguada Madeira tinha à vontade E arretirado da estrada E bem distante da cidade. Vá ver meu rancho costeiro Que por mim foi construído A cobertura de capim E o piso de chão batido Fica longe de vizinho Porque o pago é desprovido Por dentro enfumaçadinho Mas por fora é colorido. Tem gente que me pergunta Porque morar no deserto É que o mato ta ali perto A vertente d’água e o rio E a cerca da divisa É segura tem sete fio É onde canta a saracura É onde ronca o bugio. Viva eu viva o meu rancho Por aqui estou agasalhado Viva a vertente d’água Viva o mato e o lajeado Viva a forte correnteza Que por aqui tem vibrado. Assim construí meu rancho Sem querência e sem rincão Taquara e cipó atado Duas água e dois oitão Seis esteio reforçado E pau-a-pique de moerão Pelo mato resguardado E boa sombra no verão. Por enquanto estou sozinho Como se fosse um caseiro Dentro do rancho costeiro Eu vejo o sol pelas frestas E o cachorro e o gato No terreiro fazem festa E eu olhando pros mato E para o verde da floresta. Com certeza um certo dia Eu hei se ser pealado por uma china bonita Que seja do meu agrado Deixo de viver sozinho Pra viver acompanhado E o deserto e o meu ranchinho Por nós dois será habitado.