Carga Bruta
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Grudada ao chão da querência; Forcejando na subida; Na caminhada da vida, Vem tranqueando uma carreta... No passo lerdo, a sotreta Vem se arrastando, na estrada. A carga é muito pesada E o pouso é uma coisa incerta.
Leva histórias do passado E lendas qu’eu aprendi; Que me contava, em guri, A negra velha da estância... E, ao vê-la, assim, na distância Que, ao tranco rude, se encurta, Vou beijando a terra bruta, Que acariciou minha infância.
Na carreteada da vida, Quando se apaga a esperança, E’ bem triste uma lembrança, Quando vem desajeitada... A carga fica pesada E o coice puxa sem jeito, Pregando tirões no peito, Nos solavancos da estrada.
E, ao grito de ôche!... ôooche!!! Pára a carreta cansada. E, ao terminar a jornada, Mateio junto ao fogão... E, vendo em cada tição, A chama que se esmaece, Eu vou rezando uma prece, No culto da tradição.