Alma em Verso
Poeta

Cyro Gavião

33 poesias

  • A Ultima Carreteada

    Cyro Gavião

    Como arremate na dor, Dorme um velho cemitério, Na volta do corredor.

  • Blau Nunes

    Cyro Gavião

    Homenagem a J. Simões Lopes Neto, No centenário de seu nascimento (1965). - Patrício, repare bem.

  • Cabo Juca

    Cyro Gavião

    Até parece uma lenda, Mas, toda a boa fazenda Conserva, por tradição, Um guasca velho buenaço,

  • Carga Bruta

    Cyro Gavião

    Grudada ao chão da querência; Forcejando na subida; Na caminhada da vida, Vem tranqueando uma carreta...

  • Carreta

    Cyro Gavião

    Sepultada no abandono, Quebrada, velha, sem dono, Entre guanxumas e ortiga, Me lembro da rapariga,

  • Carta

    Cyro Gavião

    Meu caro Chico Ribeiro, Velho irmão da mesma crença, Sem mesmo pedir licença, Apeio no teu galpão.

  • Charqueada

    Cyro Gavião

    Que fica à beira da estrada, Quando se volta pra o pago, Eu sinto um tal de remorso, Que, pra esquecê-la, me esforço,

  • Chimarrão da Madrugada

    Cyro Gavião

    (À memória de Aureliano de Figueiredo Pinto) Bem cedo deixo os pelegos - Velho costume que trago -

  • China Maula

    Cyro Gavião

    Já esqueci... pra que lembrar Daquela china sotreta, Que se meteu de paleta Na minha vida bagual...

  • Compadreadas

    Cyro Gavião

    Boto lenço no pescoço, Tapeio o chapéu na nuca; Não me assusto de alvoroço, Nem disparo de mutuca.

  • Corredor

    Cyro Gavião

    Que leva a mágoa que eu trago; Que arrima, de pago em pago, Velhos fogões da querência. Corredor...pura inclemência;

  • Cruz na Estrada

    Cyro Gavião

    Pardo velho abarbarado, Que nunca levou carona; Costeleador de cordeona, Nas porfias imortais...

  • Cuiz de Galpão

    Cyro Gavião

    Porongo da tradição, Que floresceu no monturo! Pelo baraço seguro, Foste crescendo a preceito,

  • Era Um Governo

    Cyro Gavião

    Nos velhos tempos da infância, Era relíquia da estância Um pingo rosilho-mouro. Era um cavalo de estouro,

  • Ferro Branco

    Cyro Gavião

    Dois índios queixo-duro, guampa-torta, Se embretaram na querença duma china... E se toparam, no rancho, certo dia: Um que chegava,...e outro que saia.

  • Lembrança do Pago

    Cyro Gavião

    Sou gaúcho e não renego As tradições do meu pago, Por isso é que, às vezes, pego Na garrafa e tomo um trago.

  • Marcação

    Cyro Gavião

    Esta vida da cidade E’ vida de grande luxo, Mas eu que sou bom gaúcho, Dela gosto muito pouco,

  • Meu Cavalo

    Cyro Gavião

    Que nunca levou um laçaço, Nem mesmo quando potrilho, Apartando num rodeio, Bastava tentear no freio:

  • Meu Laço

    Cyro Gavião

    Argola presa na ilhapa, mais onze braças trançadas, Amigo das campereadas, do tempo da seguidilha...

  • Meu Violão

    Cyro Gavião

    Em sua sabedoria, Deus fez tudo como quis. Moldando nosso País, Fez do pago um pedestal...

  • Negada

    Cyro Gavião

    Tentiei o nó da macega, Onde amarrei o sotreta. Voltando, vi a carreta Desenhada contra o sangue

  • Pealo Fatal

    Cyro Gavião

    Cada vez que encilho o pingo E, aos tentos, ato meu laço, Sinto, no peito, um guascaço, Ao me lembrar d’onde veio...

  • Petiço

    Cyro Gavião

    Esse petiço trancho que, ao passito, Vem chegando co’a pipa, lá da fonte, Foi quebra noutros tempos...foi bonito, Foi mestre, num rodeio e num reponte.

  • Querência Xucra

    Cyro Gavião

    Quando a tarde vem chegando, De “tiro” traz a saudade... Cabresto forte é vaidade, No bucal do coração...