Depois das Trincheiras
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Um clarinaço descamba rasgando o fio do horizonte e um temporal vem rasante tapando a pampa de poeira, mal se vê a tropa que passa repisando o chão com força, - talvez pra acordar os touros que já fizeram fronteiras –
Na marcha de rumo incerto nunca se sabe quem volta, mas quem vai, leva a escolta a têmpera rio-grandense e a altivez dos que outrora sem “afroxar” nem um tento, abnegaram direitos para empunhar baionetas.
- Desprendidos dessa vida, com a morte a meia espalda, se a espada lhes dói na carne, a insensatez dói na alma...
Em uma dessas colunas, uma jovem – flor donzela – despiu-se da flor que era se foi para o entrevero, primeiro como enfermeira, depois um bravo soldado, que mal conhecendo pecados já taperava trincheiras.
Decerto Deus, por parceiro blindara o seu peito moço, contra garrucha ou lançasso ante a rudez das peleias, pois quando o fogo cruzava qual um mandado do céu, era um tigre esbravejando com fome de rendição.
Nem a barbárie selvagem dos cavaleiros da morte, esmoreceram a fronte dessa guerreira espartana, pois atrás daquela farda o coração qual tambor retumbava eterno amor - Fiel amor ao Rio Grande -
Quase dez anos se passaram, ora curando soldados, ora queimando cartucho, sentir saudade é um luxo pra quem ressona em trincheiras. Pois, quando a noite se achega trazendo a paz das estrelas, a insônia vem de atrás dela.
Quando se abrandarem as chamas que incendiaram o estado do litoral à fronteira, aquela rude guerreira vestiu seus olhos de fêmea, viu-se mulher, viu-se bela e abriu a guarda do peito pra entrincheirar novo amor...
O tempo passou, os olhos cansaram, os sonhos se foram, e o pulso tremeu...
... Mas além das estrelas, há paz nas trincheiras e eternas medalhas, cunhadas por Deus.