Alma em Verso
Poesia

Honra de Gaúcho

Francisney

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Sem mais e sem menos demora Permita que me apresento Sou gaúcho do passo lento Que vive vida de grosso Mais atolado que caroço Mas disso não me lamento

Ando com minha guaiaca vazia Minha bombacha toda rasgada Tenho um rancho na beira da estrada Que não tem mais porta e tramela O meu cavalo não tem sela E minha espora já está quadrada

Meu chapéu anda sem aba E meu lenço desbotado Quando novo era colorado E agora está branqueando Mesmo assim eu sigo usando Porque não é por moda que é usado

Na minha roça não nasce nem inço Minha invernada não tem porteira Meu rancho se enche de goteira Quando com a noite cai o sereno E nem o ovo mais pequeno Cabe dentro da minha frigideira

Minha adaga perdeu o fio Faz tempo que não corta nada Minha bota está apertada E o cano não mais existe Pro meu canário não há alpiste E pra carpir não tenho enxada

Para mim o sol já nasce no oeste E me deixa à distância Mas tudo isso não tem importância Quando vou ao fandango dançar E uns versos posso declamar Sobre minha amada estância

Quando bebo um belo trago de canha Esqueço da minha vida De tantas horas sofridas E de tanta amargura Com aquela amarga tontura A tristeza fica divertida

Pois eu só necessito de Churrasco para comer Uma canha pra beber Um chimarrão para tomar Prendas para amar Com isso dá pra viver

Porque pode me faltar quase tudo Não ligo para luxo Sou gaudério que agüenta o repuxo Vivo de muita coisa emprestada Não faço questão de nada Só da minha honra de gaúcho

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