Olhos de Terra
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Eram tempos comuns (Pra quem viveu este mundo) Onde um sentimento profundo De guerra e revolução Fazia brotar à mão, Pra defender a família, Uma lança farroupilha A quedar-se pelo seu chão.
Tempos tristes pro Rio Grande E pros que habitavam esta terra, Onde a miséria da guerra Fazia ninguém ter dó. O povo era um só Buscando alcançar a glória E lutando pra sua história Um dia não virar pó!
Maria ficou no rancho Sustentando uma esperança. Cuidava das crianças Pela ausência do marido Que, um dia, havia partido Pra defender o que era seu E teve que dar o adeus Com um sonho incontido.
Nada andava fácil Pra quem ficou na estância Alimentando uma ânsia Sem acreditar na verdade. Aquela triste realidade Pra uma mulher aguerrida Que passou o fim da sua vida Amargando uma saudade.
E tempo já andava ruim Mas chegou a piorar. Um dia, sem esperar, Logo no clarear do dia Sentiu o ar da covardia Por um ataque inimigo, E a bravura consigo Neste seu último dia
Atearam fogo em sua casa Sem poupar os inocentes. Talvez Deus andava ausente Pelo que fizeram aos coitados. Na terra ficaram marcados, Uns ainda em plena infância, Mulher, filhos e estância Ali foram exterminados.
Morreram, não totalmente Apenas de forma carnal, Mas guardam um ritual Iluminando seu lugar. O povohá de lutar Nesses tempos de agora Pelos motivos de outrora Que seguem a lhe acompanhar.
O tempo se renova, Mas a história não tem fim. Não ia acabar assim Pra estes que lutaram tanto Fica uma mágoa, um pranto Mas também uma imagem linda Pois o ciclo não se finda Agora, passam a ser Santos
Iluminam novos tempos Ajudando os de agora, Pois quando um paisano chora A terra sabe o motivo. Um olhar apreensivo Que tem muito à dizer, Pois o fato de viver Não é somente estar vivo.
A terra que sentiu tanto, Já viveu tantas passagens, Guardaste tantas imagens E vê que isso não se termina. Um dia guerra e neblina, Outro, calor e escravidão, Mas as lembranças deste chão Que nada lhes extermina.
E hoje reflexão: Lembrança, choro e lamento. Me parece num momento Que tudo já passou, Que a escravidão já acabou E findou-se a crueldade Mas o que vejo na verdade É que apenas se modificou
Mas como não tive começo Também não vou ter fim. Guardo tudo em mim, Recuerdos do que vivi. Não vou deixar de existir, Lutando por um mundo novo, Para que um dia meu povo Seja o dono de si!