Chimarrão
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Amargo doce que sorvo num beijo em lábios de prata! Tens o perfume da mata molhada pelo sereno. E a cuia, seio moreno Que passa de mão em mão traduz no meu chimarrão em sua simplicidade, a velha hospitalidade da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança, nesse teu sabor selvagem, a mística beberagem do feiticeiro charrua o perfil da lança nua encravada na coxilha, apontando, firme, a trilha por onde rolou a história; empoeirada de glória da Tradição Farroupilha.
Em teus últimos arrancos, no ronco do teu findar, ouço um potro corcovear na imensidão do pampa! E minha mente se estampa, reboando dos confins, a voz febril dos clarins repenicando: Avançar... Então me fico a pensar, apertando os lábios assim, que o amargo está no fim, é o sangue de 35 que volta verde pra mim.