Noite de Volta
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Os grilos fazem seresta pra insônia dos quero-queros. Uma estrela gaviona rumbeia outras querências deixando um rastro bonito na imensidão da hora morta.
Uma coruja curiosa no trono de um contra-mestre indaga preocupada se eu achei os cavalos. Depois, pede silêncio pra filosofar pensativa ao ver a lua minguante despontar no horizonte. Parece meio intrigada, como a se perguntar: “ Onde será que ficou a outra meia-lua da lua?...”
Os sapos em acalanto, embalam o sono calmo da várzea, em lençóis de prata.
Um bando de alvas garças estende um poncho de paz na copa dos sarandís.
- A estrada é linha de espera fisgando as ânsias da gente.
As crinas do baio-ruano vão se revezando em brilhos co’as estrelas do Cruzeiro que nos atraem pro Sul. Os cascos arrancam ecos das entranhas do caminho. Pra quem vagueia sozinho são compassos ritmados pra sinfonia dos grilos em contracanto às esporas quebrada de quando em vez pelo sapucaí perdido do sonho de um João-Barreiro.
De repente, um dorme-dorme levanta vôo... e o meu baio se nega e quase me tira. Depois tranqueia oitavado bufando e trocando orelhas. - Qualquer faísca é centelha pra um cavalo apoderado.
Ao cruzar ante a tapera onde um silêncio de ausências torna a noite mais quieta, um cheiro de maçanilha perfuma o meu assobio. O olhar mira as estrelas que mergulham nos lagos junto à um pedaço de céu, que se desprendeu do infinito.
- São as luzes da ribalta no palco dos devaneios.
O pensamento tranqueia no lombo da fantasia e a mente liberta imagens que um dia o subconsciente embretou dentro de si.
- A noite é coxilha larga para os rodeios do sonho.
A tropilha dos recuerdos vem pastar no horizonte onde os olhos distraídos tentam prender as silhuetas que cruzam o pensamento e se perdem noite adentro.
- No cenário da saudade a mesma protagonista.
Cenas de mates e catres se revezam entre suspiros que a noite transforma em brisa. ... Então o mate do estrivo sempre me vem a lembrança: - Os lábios dizem adeus e os olhos pedem que fique.
Os anseios da partida nos mandam seguir depressa, pois quanto antes se parte mais cedo a volta começa.
Como é bom voltar ao rancho e vê-lo sorrir na noite com seu sorriso de luzes emoldurando a figura por tantas vezes lembrada.
Há sempre um sorriso a espera de quem quinchou de carinho o rancho das emoções.
Só entende a noite pampeana na sua intimidade os que, empeçando jornadas, tem motivos pra voltar.