Recuerdos
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Embora apague a chama aventureira Que sustenta a luz da nossa história E vá nublando nos fachos da memória Os brios da epopéia farroupilha, Encontrarei, por muitas primaveras, Vestígios de balas nas taperas E algum sangue farrapo pelas trilhas!
Embora o choro triste das carretas E o cantar dengoso das charretes Vá murmurando baixinho pelos bretes Até extingui-se, de vez, no pó dos anos Ouvirei, por certo, quase vago Os rangidos das rodas desse pago Na garganta estridente do minuano!
Embora a moda atente nossos moços Para os costumes e vícios do estrangeiro E que seja apenas o traje domingueiro Calças “jeans” e tênis importados, Enxergarei nos varais de algum gaúcho Uma bombacha surrada, mas de luxo, Tremulando qual bandeira do passado!
Embora a longa quietude das fazendas Seja invadida por roncos de motores E a imponência guapa dos tratores Desenhe os mapas com marcas de pneus, Procurarei os arados e arrastões Entre os cantos escuros dos galpões E a solidão funesta dos museus!
Embora o som acústico da eletrônica Solte gritos por mil alto-falantes E os acordes progressista dos mutantes Automatizem a gaita e o violão, Cantarei, não importa se sozinho, Nas cordas tremelentes de algum “pinho” Ou nas partituras da gaita de botão!
Embora o mundo frio do cosumismo Remodele o pago e seus costumes E essa mocidade telúrica que assume Beba o suco artificial da evolução, Sonharei com os filhos dos meus netos Medicando o mal dos desafetos Na medicina vital do chimarrão!
Embora caia o último caudilho Dizimado pelo bélico da guerra E aparentemente reine nessa terra As marcas impiedosas do abandono Buscarei, por entre os homens derrotados, Um Sepé que grite em altos brados Que, novamente, este pago vai ter dono!