estrelas d´agua
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O Seu nome era Fraterno: irmão das águas do arroio que davam no Camaqüã.
Querido na redondeza, tirava marcas bonitas da cordeona de botão.
Os dedos eram ligeiros garimpando melodias no braço em flor do violão.
O seu nome era Fraterno: irmão das flautas do vento, das ressolanas de inverno. O coração que trazia ancorado sobre o peito tinha as porteiras abertas, querência dos horizontes, infinito azul de um tempo...
E sendo irmão das estrelas, passou a ter duas d’Dalvas nas pupilas de campeiro.
E foi na primeira olhada que encontrou paixão acesa nos olhos da prenda moça, ansiosa de primavera.
O seu nome era Fraterno: irmão das águas do arroio que davam no Camaqüã.
A vida de prenda moça descobriu encantamentos em coisas desencantadas:
Teceu soneto na brisa que precede a noite quente, colheu rumos de alegria na estrada mais solita,
floriu a flor no cabelo, e se enxergou mais bonita!
E tudo porque seus olhos beberam sonhos de um rio, irmão das luas cadentes fremindo em horas de cio.
O sonho da prenda moça era os olhos de um poeta, irmão das águas do arroio que davam no Camaqüã.
E seu nome era Fraterno, violão de cordas tesas, cordeona de voz trocada, garganta cheia de versos...
(Não sei porque o desengano, carrancho de asa sombria, ronda os sonhos, voejando em seu mister de rapina...)
O arroio estava cheio. Mas o braço de Fraterno é braço nadador: irmão das águas que é, atravessa um rio a nado, roçando a barranca em flor. Irmão das águas da vida que brincam sobre esse leito...
- Ou serão águas da morte, afogando quem rasgava o arroio embaixo do peito?
Só sei contar deste modo:
Fraterno nadou, nadou... inaugurando a manhã dalgum verão preguiçoso, costeiro do Camaqüã.
E seu corpo de menino descobridor de caminhos encontrou estranho rumo na flor de um redemoinho.
Talvez nem tenha enxergado o tamanho desse enlace: Fraterno sumiu nas águas melodiosas do silêncio, vibrando os dedos de viola e floreios de cordeona.
Se existe outra querência no fundo azul dos arroios, Fraterno estará cantando nalgum baile de ramada pelo “noturno das águas”.
Porém não há de esquecer os olhos da prenda moça, que amanheceram vermelhos, chorando a margem sem vida, sepultando um sonho em flor a sorver o desencanto nos cântaros da partida!
O seu nome era Fraterno: irmão das águas do arroio que devam no Camaqüã.
E hoje aquela mocita que se enxergava bonita pros olhos de seu amor, fechou as portas do peito: não escuta mais o leito daquele arroio cantor... Hoje, mora num convento, levando “as mãos um rosário de dores, segundo creio...
Irmã de outras estrelas, que não são as que se afogaram nestas águas em rodeio.