Inventário da Saudade
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Dona Tereza faz mate Numa “xicrinha” sem asa. Tão amiga e tão saudosa A alma é conforme a casa.
Na varanda estragando, Dona Tereza cozinha Lembra os biscoitos de trigo Num tempo que se esfarinha.
Lembra os campos que eram grandes Antes do pai falecido. Antes do todo em quinhão A cada irmão repartido.
Antes de cada alambrado Findasse os campos de trigo... A união que havia em todos O pai levava consigo.
Figuravam nesses anos, Nos domínios desta casa, Vozes, rostos, filhos, netos, Um fogareiro com brasa...
Tempo de marcar o gado... Tempo de chamar comparsa... Tempo que se foi no vento, No lento adeus de uma garça.
Hoje, só dona Tereza, É guardiã deste mangrulho Que tem medo de sumir, Ruir e ser pedregulho...
Ninguém dos seus temmemória; Esqueceram que esta casa Foi ninho, braços abertos, Aconchego sob a asa...
Somente Dona Tereza Abre a casa de manhã, Olhando o rebanho curto E ameia bolsa de lã.