O Andarilho e a Estrada
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Raimundo lembrou Drummond, É nome sonoro e bom A quem tivesse o profundo Gosto de virar o mundo, Andando em vasto caminho. Não sei se homem sozinho Mas que fosse viajante, Tendo o sabor do distante Preso na língua e no olhar.
Raimundo, se fosse taura, Mal o dia abrisse a aura, Encilharia o tordilho, Ordenando aos que ficassem Que não fossem, nem chorassem Impedindo o seu destino De Raimundo e andarilho.
Diria: “me chamo trilho, Nasci talhado pros ventos, O mundo está no meu nome, Tenho fome de caminhos. Parado, não sinto o vinho, Parece que nada passa. Quero a roda que não cessa Feito o dia que começa, Quero dizer a que vim, Sou Raimundo e vejo o mundo Inscrito dentro de mim.”
Raimundo, então, sumiria, Seria um ponto na estrada E uma lágrima prateada Sobre os olhos da família. Seria na mesa grande Uma cadeira vazia, Talher e prato sobrando. Mas pouco a pouco, Raimundo, No peito de quem chorara Seria mágoa sarando. Afinal, quem tem o mundo Saltando dentro do nome Tem a grande, infinda fome, De trocar céu e pousada.
Quem tem nome de Raimundo, Nasceu para ser estrada.