Rancho Velho
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Entre umbus e sina-sinas, em meio a pedras erguida, no descampado esquecida como saudade passada, completamente cercada pelo trevo e a flexilha, onde a flor da maçanilha veste o chão na Primavera, está uma triste tapera topejando uma coxilha.
Aí nesse chão bendito que tanto segredo encerra, sagrado palmo de terra do verde pampa infinito, aonde em estranho rito se assiste à missa da aurora, onde a madrugada chora em lágrimas de sereno, aí nesse berço ameno foi que surgi para a vida.
Foi onde senti os anseios do sangue da minha gente. Onde fui Caudilho à frente de esquadrões de fantasia; onde em noites de invernia sonhei sonhos de ventura; onde solto na planura penetrei-lhe no segredo, sem saber que muito cedo tudo em sonhos ficaria.
Essas fundas cicatrizes que o tempo te abriu nos flancos; esses teus cabelos brancos, restos de antigas raízes; os nostálgicos matizes que o sol crioulo te imprime, tapera, — meu ser exprime com perfeita identidade... Tapera, — minha saudade que jamais esquecerei!
Assim também como tu rancho velho abandonado, eu carrego no meu fado, teu escombro triste e nu. Meu coração é um umbu cheio de “marcas” antigas, gravadas por mãos amigas de Gaúchos de igual sina...
Minh’alma é uma sina-sina broqueada pelas formigas. * * * Tapera da minha infância! Descansa na tua coxilha, nessa tumba de flexilha sem temor do esquecimento; pois dentro em meu pensamento encontrarás um abrigo. E pra que haja um testigo que te conserve a lembrança, eu serei sempre criança para estar junto contigo.