Tradição
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Sou boleadeira Charrua, sou laço de couro cru. Sou a sombra de um umbu, sou touceira de flexilha: sou pedra duma coxilha e água de manancial: sou o pampa matinal quando à luz do sol rebrilha.
Sou matambre de novilha, pingando graxa no espeto, crioulo de fumo preto e cuia de chimarrão. Sou baralho de carpeta, cachaça , tava, cordeona, sou a chilena chorona paleteando um redomão!
Sou tesoura esquiladeira, picana de carreteiro. sou cambona de tropeiro, sou cherengue carniceira. Sou refrescante coalhada, a canjica saborosa, sou apojo de barrosa tirado de madrugada.
Sou Campo Santo esquecido, sou cruz de beira de estrada. Sou a tapera assombrada das luzes e aparições. Sou coruja de tronqueira ao quero-quero anunciando, o lobisomem rondando em noites de sexta-feira.
Sou lança de meia-lua de legendárias campanhas! Comparsa de mil façanhas do Gauchesco passado! Sou o sangue derramado pelos heróis campechanos, sou tumba dos veteranos Patriarcas do Rio Grande!
Sou espada Toledana, garrucha boca-de-sino. Sou o guasca teatino que não conheceu fronteiras! Sou o toruno orelhano de rodeio sempre alçado, sou o lenço colorado, sou o nó Republicano!
Sou galpão de Estância antiga, esteio de rancho velho! em tudo o que sou espelho o cerne do Nhanduvá! Sou fio de barba, — hombridade, — sou os mortos que relembro, sou o “Vinte de Setembro” precursor da Liberdade!
Sou o rijo Minuano rodopiando na amplidão! Sou a cinza dum fogão de acampamento Farrapo. E sendo também um trapo da Bandeira Tricolor, vivando-lhe o esplendor, sou, enfim, a T R A D I Ç Ã O !