O Ciclo das maos
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Estas rudes mão que agosto intangue Co’a benção das geadas ventanias, Parecem fortes para as rédeas cruas, Mas são frágeis conchas a esmolar os dias.
Estas tolas mãos que hoje se atrasam Pra cevar um mate, fechar um “crioulo”, Não foram lentas para um truco cego, Nem foram fracas pra golpear um touro.
Essa mania de buscar nos mates O vigor que outrora havia em mim, É só desculpa pra matear saudade Já que a vida invade meus sonhos no fim.
E eu sempre indago essa vidinha buena Que as vezes se esquece que sou cerne duro, E por deboche me convida ao jogo, Onde “invido” a sorte com manilha e tudo.
Já perdi tantas mal-trucando da vida, Só ganhei ferias no meu coração, Perdi meus filhos que ganharam rumos, E ainda devo os sonhos dessa solidão.
Pura bobagem esta insanidade, De medir forças co’a força do tempo, Pois minhas mãos já são de afeto, De aço mesmo só as mãos que invento.
Sim, hoje me pesam na bengala amiga As mãos de aceno para quem partiu, Deixando a alma na orfandade plena, Um rancho de penas e o pago vazio.
Procuro o dono dessas mãos de “ontonte” Que esbrugavam talhas de contar o gado, Só encontro a sombra desse peão artista, Que perdeu de vista o sol de seus quadros.
Nublaram-me os olhos de alongar distâncias E contar estrelas nas quinchas do céu, Ficou mais longe a porteira da frente, Mas ficou mais perto a querência de Deus.
Por onde andarão as milongas? Que amansei nas rondas pra soltar na voz, Se o que sobra são apenas coplas Ecoando nas grotas dos meus sonhos sós.
Como me agradam esses sonhos loucos Que compõem as noites desse mundo frio, Neles, eu vejo tudo que reclamo, E os quadros que amo não estão vazios.
Sim a querência enfeita a nudez das telas, Que pintei com as mãos de esperança e fé, Tudo perfeito pra emprestar à vida, Que hoje me foge sem dizer porque...