O Visionario e seu Deus
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Desprovido de vaidades com a alma impregnada de bondade e de clemência, saí pra ver a querência que regalastes pra mim.
Custei achar minhas preces que mal aprendi nas rondas e em horas de solidão, buscando vosso perdão - esmola que não tem fim.
Trouxe o silêncio das noites para a quietude do abraço, pois conheceis os meus medos, adotastes meus segredos, e aliviastes meu cansaço.
Meus fardos não foram leves nem suaves foram os calos, mas o vosso amor maior pras rédeas que me fez doutor e eu amansei meus cavalos.
Semeei sonhos nas coivaras plantei rancho e fiz mangueira, só o coração me reclama meio tristonho sem dona num peito quase tapera.
Eu sinto inveja da aurora, - perdoai meu sentimento - quando os pássaros cantores encantam os seus amores num recital para o vento.
Esse vento é que me entende e responde a sinfonia, soprando a dança das cores que adoçam os beija-flores e inspiram nova poesia.
Já sou quase um visionário encantado com teu mundo, que recrias num segundo quando a gente se distrai, e a lua que se vai a desfrutar madrugadas é o fruto esperando geadas para adoçar novo amor, é o potro e o domador jogando a mesma parada.
Ah, Senhor... Vós que regeis o pampa que de tudo bem sabeis, como eu queria entender o porque das sesmarias, da fome, das noites frias, da estrada que não termina pros irmãos que tem na sina só esperança pra dar, um hino a desencantar e um sol que pouco ilumina.
Senhor de poucos assuntos trazeis-vos amor de sobra pesando no coração, olhai teu povo pagão a desnortear as estradas, e talvez pro meu peito que desusado enlouquece, pois nem em sonho aparece quem me habita o pensamento.