Los Caudilhos
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Gumercindo Saraiva
Falqueja a história - teu nome À ponta de daga e lança Heróico tento - na trança, Do laço nobre caudilho! Disse o Rio Grande: - Meu filho... Num campeador te farei! Aprenda bem minha lei: Espada - poncho e lombilho!
E assim respondeu - Saraiva, Na voz do mando de antanho Lonqueando o pampa tamanho A casco - fogo e pontaço. Nalgum intervalo escasso Comia carne e mateava... Por certo que precisava Mandar la cria o cansaço!
Mas só descansou - de fato Quando uma bala perdida Mandou-lhe sem despedida Pra muito longe daqui! Segundo a história que li Num dez de agosto até lindo, Embreteou-se Gumercindo, Nas grutas de Carovi!
Pinheiro Machado
Audaz – lidador - vaqueano Tropeiro - caminhador, Espadachim - Senador, Do cerne primata - antigo Impositor, mas amigo, Republicano vibrante, Majestoso e arrogante Na voz - do próprio inimigo!
Cruzaste fronteiras muitas À testa de teus legais... Lajeados e pantanais Que Gumercindo bandeava. Em Inhanduí onde estavas, Viste o Saraiva - de frente Dois rivais mas dois valentes Noventa e três - se incendiava!
E o velho Pinheiro heróico De singular trajetória, Não teve no fim - a glória De morrer de sangue quente. Em mãos covardes - dementes, Caiu o ilustre caudilho, Vulto de honra e de brilho Deste País - continente!
Pinheiro Machado - um nome Mais do que nome - legenda! Marco de arrancos contendas, Talha da audácia saber! Hás de sempre merecer Desse teu povo valente, Este afeto de quem sente Quem não se pode esquecer!
Flores da Cunha
Flores da Cunha - El Cid. Violento – emotivo - amável, No itinerário insaciável De quem governa e peleia. Cruza açoriana nas veias Olhar do leão manhoso, Coração meticuloso De quem perdoa e odeia!
Talvez assim - teu retrato, Abarque os antagonismos Encastiçando lirismos Nos penhascos da rudeza; Assomou a natureza No teu valor de nascência, Pra que servisse a Querência Com lealdade e fraqueza!
Nos impetuosos encontros Quando o sangue já fervia Honório Lemos - dizia... De novo o Flores se veio; E pra não ficar tão feio... Dava de rédea ao beiçudo, Bufando qual touro aspudo Por ter perdido o rodeio!
Mas eram assim - Los Caudilhos E flores - foi maioral, Por isso - no ritual Do meu verso asselvajado, Fico vivendo o passado Que cá pra nós - foi sangrento Coloriando tento a tento Nosso Rio Grande adorado!
Outros mais e muitos outros Neste compêndio de maulas; Velho Firmino de Paula De lances bravos repleto; Juca Tigre - Zeca Neto, Leonel Rocha - o andarilho, Tinham por catre o lombilho E o céu do pampa - por teto!
Honório Lemes - Portinho, Vazulmiro - Paim Filho, Mais quatro nombres caudilhos Em vinte tres - perfilados! Olho a olho - brado a brado Situação e rebeldia, Palmilhando sesmarias Num tropel de celebrados!!
E foram assim los caudilhos Estes - outros - muitos mais Heróicos – xucros - baguais Peleadores de nascência! na estóica reminiscência, Todo o Rio Grande se agita Depois... tranqüilo medita Na paz que reina a Querência!