Mateando
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Que pensas, velhito, Sentado - solito, Com a cuia na mão?
A cuia te parece um seio duro Com a mama retesada para o lado... Contrapondo entre dedos calejados, A maciez da trigueira adolescente!!
Que pensas, velhito, Sentado - solito, A par do fogão?
Tal qual o fogo consumido o cerno Recolhe o tempo nas cinzas dos invernos Largos recuerdos da vida decadente!!
Quanta saudade, velhito, Dos tempos da estampa em flor! Do corpo rijo - incansável, Das andanças - sem destinos! Quanta vontade, velhito, Dos bailes daqueles tempos... Dos causos - dos entreveiros Carreiradas e bolichos!!
Morenas daqueles tempos!...
E aquela ruiva - um cambicho! de um olhar claro - profundo, Quando se punha a mirar... Os olhos daquela ruiva Bem pensando - pareciam, Duas estrelas caídas Nas profundezas do mar!!!
E aquele baio encerado... Florão de rédea e de pata!? - Batido enfim - pelo tempo!
Ora... o tempo!... Gaudério sisudo e implacável, Campeador de essências e matérias!! Que queres, velhito, Olhando o longito Na hora do amargo?
Campeias além do tempo! Na visão do nada - brota um pavor! - Não sabes de nada... e afinal, - no nada, nem cabe um valor!!
Disseram-te um dia, Que a morte é a porteira Dum mundo pro outro!
Depois da porteira... A estância de Deus!
Ah!... se na Estância de Deus, Pudesse montar de novo no baio... Campear o gadinho - as vacas com crias, Castrar um pavena - lonquear alguns tentos, Pitar um crioulo - sorver um amargo!!!
Voltar novamente aos tempos de então!!
Repontas, velhito, Mateando - solito, A tropa dos anos!!
E a tropa ligeira, Já força a porteira Da Estância de Deus!
Não temas, velhito!...
Trançaste uma vida - sofrendo, lutando, E, em cada pisada que deste no chão, Humilde - mas guapo, Humano - mas taura, Buscaste o clarão!!
Há de haver um Sol - velhinho Bueno, Depois que a noite terrena mermar no horizonte!
Por isso - velhito, Mateias - solito, Campeando o longito A par do fogão!!!