Alma em Verso
Poesia

O Adeus ao Velho Poeta – Luís Lopes de Souza

Luís Lopes de Souza

14º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

As musas, chegam silentes... No adeus vago e remoto brilham auras derradeiras de santas de um só devoto...

Sim! Foi esse velho poeta, que viu por imaculados seus olhares e sorrisos, que hoje estão eternizados no esquecimento dos livros....

... nos reprimidos lamentos não demonstram suas magoas nem sequer ressentimentos... ... num desfile quase alado mais parecendo uma réstia, cada uma faz as honras pra idolatria que resta....

Param mórbidas no esquife... e olham urgindo segredos com bizarras orações entre saudades e medos... Os dedos tocam de leve como num algo sagrado, sentindo talvez remorsos entre o perdão e o pecado...

No rosto, nem uma lágrima, musas não sabem chorar todas elas são reclusas na perfeição do olhar. ... resta o silêncio gelado do velho e ousado poeta, que repousa, qual uma estatua com mil palavras secretas...

Mas e agora?? Quem cantará de alma pura indescritíveis belezas que cada musa esbanja por regra da natureza... Quem passará madrugadas soletrando garatujas pra descrever sem permisso uma por uma das musas...?

E quem vai chorar por elas mesmo em secreta ilusão? Pois poeta é pecador e não sabe pedir perdão.... Quem vai vagar pelos campos Com soluços e lamúrias chamando as musas ausentes no cio das noites de luas...?

... faltará alguém a esmo cômico e caricato, proferindo em palavras os mais perfeitos retratos... Faltará um poeta ímpio que indiferente ao pecado cantava sonetos pobres cumprindo o eterno fado.... Faltará um maltrapilho pelas ruas do povoado, com temas tidos por tolos muitas vezes repudiados... E por certo era feliz alimentando loucuras venerando suas musas no silêncio das molduras...

... um prosaico relegado pelos versos que cantou, maculou a perfeição das musas que venerou.

Restam, soluços imprevistos num murmurejo sacral, e o velho poeta teso como num ponto final... Sapatos hirtos pra o céu mãos postas como é preciso, e a cada musa presente no rosto um breve sorriso...

Mas e agora?? Quem vai ser o anjo demônio fazendo versos em preces escrevendo quase nada do muito que elas merecem...?

... Quem sabe vieram cobrar no adeus ao velho poeta as poesias rascunhadas que ficaram incompletas...!

... não surgirá outro louco com palavras inocentes rabiscando silhuetas com provérbios diferentes... ... não haverá um solito que no auge da partida já não pode mais cantar suas musas proibidas...

... elas mereciam mais e não faltou inspiração... faltou a grandeza plena pra tão sublime missão. ... o poeta é transcendente mas se apaga na história, e as musas são os anjos que eternizam, sua memória!