A pipa, a Cacimba e a Estância – Xirú Antunes
14º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em
A água azul da cacimba, subiu a estrada da sanga, Matando a sede da estância, Cantando um canto molhado, Azulado de lembranças.
Ajunta de bois tigrados, “Repexando” com paciência, Solitários, sem regeiras, Pois sabem o velho caminho Que “volteia” as “caneleiras.”
E o coador de estopa, Vai coando a flor da água, Enchendo “quartas” e “talhas,” As cambonas e chaleiras Da cozinha da peonada.
E é lindo o som da cambona, Batendo o fundo da pipa, “água pros lombos suados”, Na “oreada” do meio dia, Depois do rodeio parado.
Faceira lá vem a pipa, Mais faceira é a cacimba, De boca aberta azulada, Engordando a pipa d água, E a estância velha lá encima.
Mais outra pipa e mais outra, Chacoalhando no “repexo", Ringindo a roda sem graxa, Que o tempo foi esvaindo Nas partituras da água.
E é preciso mais água, Que vem a safra da esquila, E tem mais gente na estância, E tem mais sede tangendo, O barrigudo da pipa.
E é preciso mais água, Água limpa e cristalina,
Que se encontra na querência, Lá onde a sanga viaja Na “tardezita” da pipa.