Prisioneiro da solidao em dias de inverno
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O tempo nestes dias Anda mal humorado O rancho é vigiado Por ervas daninhas.
Com passos lentos Este inverno cansado Vai enchendo a mala Com minhas esperanças...
É espora de ginete Este minuano cortante. No coração, tapera, Já faz sua morada. Esta chuva teimosa Desafia as promessas A quincha de santa-fé Encharca sem pressa.
Em gotas de saudade Vai se espreguiçando Formando um rio Que transborda em solidão.
Essa solidão Ronda meus passos De mãos dadas Coma tristeza Neste rancho acanhado Ficam marcados Meus desejos escassos.
Um cochilo de cansaço Lá vem a senhora solidão Com a lança da quietude Ponteando meu coração.
um sobressalto Grito...grito...
Pendura teu poncho Tecido de desgosto Fecha tuas garras Que marcam teu rosto.
Tem pena de mim Me deixa viver... Pela vidraça sem graça Meus olhos luzeiros Procuram refúgio No horizonte vazio.
Esta chuva não para. A noite mostra a cara De uma senhora carrasca Chicoteando os sonhos,
Lá no banhado Os sapos enjoados Cantam e recantam A mesma canção.
Mas que vontade! Que vontade De cala-los um a um.
Se o pensamento conseguisse Desprender o buçal da angústia Que travam meus sonhos, Voando além do horizonte Deixando no caminho Estas tristezas e espinhos.
O vento açoita a porta Entoando um som Qual cincerro do sinuelo. Desviando meu olhar Revejo o coração Esculpido a ponta de faca As iniciais cobertas de picumã. Os anos delatam A dor de uma paixão E as feridas reabrem Sem perdão.
Esta inverneira Não dá trégua! Da prateleira do tempo Busco o rosário da vida E desfio as lembranças Tropeadas e andanças Que a porteira da memória Há muito fechou. Por mais que tente Neste velhaco pensamento Não consigo cinchar Aquele corajoso tropeiro Assoviando a vida Só vejo o homem triste Cavalgando sem rumo.
Nas minhas quimeras Espero o sol de primavera Que pelas frestas da janela Cutuque a minha alma.
Tem compaixão Prisioneiro solidão. Quando a chuva parar Se o inverno se for Pega teu ponche Fecha tuas garras E... me deixa viver.