Sonho de Prendinha
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Sou pequena, eu sei, Prendinha que ainda sonha Dizem que sou medonha Sapequinha e muito arteira Porque vestida de chita Eu me sinto mais bonita Do que o voar da fronteira.
Papai me olha dizendo: “Menina, tu não tem jeito” Sei que não é preconceito Só por eu ser criança Mesmo sendo pequenita No meu sonho de prendinha Mora um mundo de esperança.
Orgulho-me sem ter vaidade Das coisas do meu rincão Da história e da tradição E do pouco que aprendi Na lida livre dos campos Do clarão dos pirilampos Da querência onde nasci.
Mamãe sempre me diz O modo que devo agir Os bons exemplos, seguir Sem ter receio ou temor Das histórias farroupilhas Das batalhas nas coxilhas E do gaúcho peleador.
Quero crescer aos pouquitos Aprendendo nossa histeria Vou gravar bem na memória Tudo o que for me ensinado E quando o futuro for presente Lembrarei muito contente Da Rio Grande do passado.
Em rodas de chimarrão Entre um e outro papo Vou reviver os farrapos Dos tempos de antigamente Contar para prenda e o peão Que alguém morreu neste chão Por um pampa independente.
Em fim quero ser gaúcha Em todo e em qualquer momento Prosseguir o ensinamento Sem diminuir o entono Serei a prenda de fé E me espelhando em Sepé Direi o pago tem dono.
Meu sorriso mostra bem O que agora estou sentindo Vejo a infância surgindo E com ela vou vivendo Sou o Rio Grande de outrora E sou o pampa de agora Que num sonho está nascendo.
Vejo lá no horizonte Um Rio Grande mais forte No soprar do vento Norte A natureza se alinha Como é bom poder olhar E fechando os olhos realizar O meu sonho de prendinha.