Alma em Verso
Poesia

O Solitário do Cerro

Luiz Menezes

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Aquele rancho Sobre o cerro Tinha dono; Era do velho Tocador De violão

Hora certa Passos lentos Ele chegava, Falando ao curso Magricela E confidente... Eram irmãos, Irmãos de alma E solidão.

À tardinha Quando o sol Se torna triste Ao apear No horizonte Antes da noite, Ele chegava Para o rancho Passos lentos, Com os olhos Submersos Em silêncio.

Fogo feito Mate pronto Cusco perto,

E as estórias Que jamais Ninguém ouviu.

Quem de longe Os avistasse Pensaria, Que eram estórias De fantasmas E taperas...

Pois no olhar Daquele cusco Magricela, Na forma De um quadro Na parede, Havia o grito De mistérios Escondidos, Dos que não têm Alguém sequer Para escutar...

Meses a fio A mesma cena Repetida, Num ritual Quase místico Na tarde, Quando Ao rancho Ele chegava Passos lentos, Com os olhos Submersos Em silêncio.

Depois Candeeiro aceso Viola e canto, Em memória Dos amores Perecidos...

Rodeios De emoções Que não Se apartam, Quando se traz Dentro da alma A dor da ausência, Dos que Se foram Para Nunca mais Voltar. ---------------------- Por certo Algum dia Alguém dirá, Vendo o rancho Sobre o cerro Sem ninguém:

Ali morava Um velhinho Solitário... Era um triste, Tocador De violão.