Taura Velho
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De manhã bem cedo O serviço começa... Peão de estância. O cavalo, o gado, A espingarda, a boleadeira, O arado... Ferramentas de tua luta.
O seviço é pesado, Não é pra qualquer um. O pago é grande E a lida demorada. Defende a estância Até sua morte, Pois medo não tem. É gaúcho macho E alguém duvide pra ver!
Algumas chinas em sua vida, Mas prenda ele não tem. O serviço que faz tão bem É feito sózinho. A faca está sempre na guaiaca, O chapéu velho Sempre na cabeça. Fibra forte Queimado do sol, Homem gaudério!
Sangue grosso, Lenço vermelho... É um taura de verdade Peleando entre os campos, Cuidando do rancho, Não tem pena de ninguém! Pra guerra já foi, Matou muitos homens Que ousaram passar em seu caminho. A raça está na sua cara, Não esconde de ninguém!
Pra entreverar-se numa peleia Fazia de tudo... Dava a cara à tapa Mas se levava não deixava barato. É desses tipos que é difícil encontar! Gentil não é, nem faz questão. É grosso, porém de seu serviço ninguém reclama. O patrão confia nele.
O campo é seu lar, A vaneira é sua alegria, O cavalo é o seu amigo. Bombacha, camisa, lenço, bota... Sua estampa. É um caudilho dos pampas Quem o não conhece. Taura velho, respeito tu mereces.
Taura velho, Na vida és peleador A cabeça nunca abaixou. Que contigo não se meta Quem cruzar o teu caminho, Pois nem pedra irá sobrar, És fibra forte.
Espelho de raça, Peão de estância. Destreza, capacidade, Punho forte. Na cama não irá morrer, Pois antigamente é peleando que se morria E taura como tu, Mostra que peão não abaixa a arma Antes de morrer. Levanta o chapéu E segue tua luta, Pois taura como tu É que orgulha nosso Estado!