Um Velho Heroi Que o Tempo Terminou
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O tempo às vezes parece não passar... Mas engana-se quem diz Que o tempo foi o homem quem criou, Pois tempo, tempo é algo que não volta Não depende de ninguém. O tempo corre, os dias passam As horas voam e a vida... Pra mim, o tempo passa E dele só tenho lembranças.
O que me restou de outros tempos? O que me sobra? O que tenho pra mostrar? Olha pra minha cara E diga o que restou. Olha pra mim e veja A pilcha pobre. Olhe pro meu rancho E diga se tem charque na panela.
De lembranças vivo, Pois o tempo passou, Não volta mais. Outros tempos onde os homens Mostravam sua garra nas guerras, Gaúchos honrados, de casa Sem bombacha não saíam... Outros tempos.
De gaúchos, só histórias... E de histórias não se vive. Quero saber onde se esconde Nossa herança. Quero saber onde está os Gaudérios de antigamente. Diacho, de que adianta Ser gaúcho se a faca que Ta na guaiaca não tem Mais fio? O tempo corre... Ignora o passado E me deixa como um tareco velho.
Por que tinha que ser assim? Eu, rico de idéia E gaúcho pobre. De cultura sou patrão, Mas vivo como um qualquer, Jogado pelas valetas, Com um lenço mal atado no pescoço... De que me vale ser gaudério Se desse tempo nada tenho?
Fui herói sem nome, Com o gado lidei... E agora, perdido no tempo. Guerreiro sei que fui, Um caudilho sem rédeas. Mãos sofridas da lida... Elas que sentiram a guerra de perto, Não importa mais o que fui!
Hoje, um peão velho. Audacioso, xucro, índio gaudério... O tempo passando, e eu pra trás. Um velho rancho, Um matunguito feio... A evolução foi que me destruiu, Não consegui acompanhar, Sou um traste antigo Que sequer é lembrança.
Hoje restos de uma vida, Estrada sem volta. Um velho chapéu, Que da cabeça já saiu. Serei o que sou, Mesmo que seja pra morrer! Pois nasci assim E morrerei assim!