Alma em Verso
Poesia

Rosita

Marco Póllo Giordani

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Trouxe esta flor pra você, De muito longe. A Maria-Mol está florescida - Não repare...está um pouco amassada... Foi por causa da pressa... Judiei um tanto do baio, Mas parece que ele até entende A minha ânsia de chegar... E parece até entender o nosso amor! - Que tropeada comprida! Bueno...há quanto tempo não via Minha prendinha...e estes cabelos... Que saudade!... Prepare um amargo pra nós, Mas antes...um beijo, Rosita!

Assim tão calmo falava Um taura moço tropeiro... Em cujo peito incendiava Paixões de um amor primeiro!

Rosita... Quando tropeio, você me acompanha... E enxergo na frente - Assim por sobre a boiada - Tua imagem tão linda! Quando a luz me prateia o semblante, Parece-me você toda de branco A me sorrir.

Quando olho pra Estrela-d’alva, A nossa estrela, Um brilho do alto me transpassa E me transforma... Botando por terra o “ginete do mal” E me sinto feliz... Porque sei que no fim Do lerdo passo da jornada, Mais do que tudo - Tenho você, A me esperar com um mate... E com este amor tão grande Que funde nossas almas!

Amanhã vou partir de novo. Será a última tropeada! Vou trazer o teu vestido de noiva E uma bombacha nova. Também um lenço novo, Tão colorado - assim como o Sol - Sangrado pela tarde. Quando chegar... Quero o pessoal todo reunido Debaixo da ramada - E um floreio de viola Como sinuelo da nossa felicidade!

Não chores Rosita... Desta vez não demoro: Talvez dois quartos de lua. E depois então ficaremos Sempre juntinhos E teremos muitos tropeirinhos Para enfeitar o ranchito!

Mirando fundo nos olhos Da chinoquinha Rosita, Foi dando rédeas ao baio Para a última tropeada. Era um toruno brasino Fazendo senha de estouro; Era o estalido do couro Da soiteirita morocha; Era o descanso na sanga Pro revirado e a sesteada! Eram noites mal dormidas; Era o café de chaleira Num final de madrugada!

Mas tudo... tudo era imagem... De Rosita - a prenda amada!

O vizindário reuniu Naquele final de tarde.

Uma nuvinha de pó Ao longe formou figura... Até deslumbrar semblante Do moço montando o baio.

Uma quietude pairava No meio daquela gente. E ele que vinha ansiado Trazendo festa nos olhos, Apeou-se e foi chegando... Com o embrulho do vestido - Aquele vestido branco - O mais lindo pra Rosita!

Abriu-se duas fileiras No formar de um corredor - Como passagem de honra Para o tropeiro chegado!

- Festa? Não... - Morte!

Num caixão de tábua bruta, A flor Rosita murchava!

O taura moço tropeiro Não agüentando tal golpe, Atirou-se sobre o corpo Num murmúrio de soluços:

- Rosita... Rosita... Rosita...

E o sonho de um grande amor, Sumiu-se sem nem Adeus Num manancial de tristezas!!