Alma em Verso
Poesia

Terra de Herois

Marco Póllo Giordani

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Sou campo, várzea, lagoa, Sou céu de pala azulado. Sou o arroio serpenteado, Dando contorno e divisa; Sou o vulto verde e baliza De algum umbu solitário, Sou berço, cancha e cenário Da raça que se eterniza!

Sou o grito do quero-quero Alerta rondando o pampa! Sou o rouco bater de guampa, Do gado xucro estourando; Sou o Minuano cantando Um versejar de friagem, Sou alma, pulso e coragem De um índio taura domando.

Sou o guasca andejo, sem rumo, Trançando o destino incerto. Sou a cruz de braços abertos De alguém que morreu peleando; Sou o carreteiro assobiando Na paciência caminhante, Sou o colorido distante De um novo dia raiando!

Sou erva, bomba e porongo Pra um mate de madrugada... Sou o ponche branco de geada, Do inverno sobre a coxilha; Sou o campeador farroupilha Lutando de peito nu, Sou o lunar de Tiarajú Guiando a raça caudilha!

Sou obra prima de Deus Que me cobriu de beleza! Sou o jardim da natureza, De flores me dando cor; Sou um castelinho de amor Num princípio de namoro, Sou o sonar mesclado em choro Na viola Del payador!

Sou o brilho da prata antiga Do luar que me clareia! Sou a história de mil peleias, Que me lavaram em sangria; Sou a própria mitologia Dosada em assombração, Sou o velho fogo de chão Cobertor nas noites frias!

Sou carreira, sou fandango, Sou tava, truco e bolicho; Sou manhas de mil caprichos Que a hospitalidade afaga! Sou o rancho onde sempre há vaga Pra um chiru de campo ou serra, Sou o som de hinos de guerra No dialeto das adagas!

Sou o gosto da carne assada Na brasa boa de angico! Sou o altar sagrado e rico, De gaúchas devoções Que pulsam me dando vida, Sou a imagem pura e querida Das mais lindas tradições!

Sou o ouro em cachos de trigo Me transformando em celeiro! sou o esplendor do cruzeiro No brilho de cinco sóis! Sou um clarim de rouxinóis Onde minha fauna se expande, Eu sou o xucro RIO GRANDE Bendita TERRA DE HERÓIS!