Na Senda do Laço
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Um laço é mais do que um sovéu caso a mão de quem o lance pulse em si o som do vento que se desfaz pelas tranças nesse embate acampeirado mais que uma disparada uma peleia ramalhada de vivenda na sorte que desempata mas se o tempo se desgarra rompendo ilhapa e argola a morte faz redondilha entre maneia e presilha e campo adentro se enforquilha em volta das quatro patas.
O braço roda no ar descrevendo o santo ofício enquanto a sina mais xucra ensaia seus movimentos entre bufido e escarceio afrouxando as cambas do freio rodilha rédea e sovéu, ou o ginete golpeia fechando a armada certeira ou se arrancha de céu o pealo duro e exato vai além do próprio chão maneando espora sonhos... e os pulsos rudes do peão.
Quem se veste de campo coloreando os alambrados vai rompendo fronteiras, corredores e porteiras ou o fio das lonqueadeiras, junto das sendas do laço recria a vida solito, perfilando as velhas garras deixando a armada do avesso e quem agüentou o tirão por certo se vê aos pedaços enrodilhado em quatro tentos já com a querência sovada na força bruta dos braços.
Se o doze braças se solta da mão rude do campeiro prende o horizonte inteiro preludiando as invernias a sina embreta quimeras, a cancha abre cancelas o braço se faz tapera na estância larga da vida seja guampa seja pata ou um coração sonhador, este o laço do amor desajeita e se descreve às vezes num simples breve, joga ao chão o laçador.
O viver é enredar-se nas rodilhas libertadas pois o laço ganha asas e armada no mas se agranda oigalê, vida baguala, que quando quer embuçala quando não quer desenfrena, cavalga além do sentido dos tentos faz o cabresto da armada cancha e encilha prendendo pelas virilhas de cucharra ou meia espalda de sobrelombo ou bolcada, como quem dá um abraço.