Más línguas
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gritaram minha causa mortis... Se duvidar, até brindaram, mas sempre assim, pelas costas.
Tinham todas as respostas pra minha morte anunciada, e detalhes do meu fim com profundezas de mim regendo suas gargalhadas.
Chamaram padre e coveiro e os amigos mais chegados. Tinham um final certeiro e risos pro desespero do que sobrou do finado.
Disseram: Pobre coitado! Já foi tarde, não faz falta. Compraram coroas e velas e pálidas aquarelas, terno preto com gravata.
E riram... Com seus maus cheiros seguiram. Me desfazendo, mentiram, e riram, riram e riram.
As más línguas prosseguiram matando-me na semana. Até que alguém, de mansinho, avisou: Cuidado! A morte é falsa e engana...
Então um guapo falou quando surgi pela rua: “O amor é muito lindo, mas a vida é pura pua!...”
Fiquei inquieto pensando no dito , sempre feliz, e, assim recomeçando amansei a cicatriz...
E sem saber ressuscitei. Mesmo sem ir eu voltei. Voltei mais homem, mais forte... Depois de vencer mentiras matando minha própria morte.
Voltei pra calar covardes, sem precisar dizer não... e sustentei no silêncio as mágoas do coração.
Voltei vestido de paz pois não me agrada pelear... Voltei olhando pra frente com pirilampos no olhar. E um amor diferente pra repartir co’a essa gente que teimava em me matar.
Voltei pra semear ternura por esta estrada comprida e tornar mais colorida a paisagem que era escura, pra adoçar na planura as línguas más co’a minha vida.
Foi assim que certo dia vi transbordar a poesia, talvez por glória, ou por sorte... Vencendo essas línguas tolas pra mostrar que almas boas não perdem jamais pra morte.