Poema de uma Ausência Temporária
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Na Tapera do Mariano de lendas tantas e mistérios, há flores recém colhidas enfeitando o cemitério. Há um silêncio tristonho contrapondo o vento norte, lágrimas beijando lenços depois de abraçar a morte.
O céu sussurrando luto na viuvez da manhã vem tarareando no vento uma cantiga pagã. E a viuvinha tordilha vem chorar no aramado pra lhe trazer a notícia que veio do outro lado.
Eterno se foi sem rumo. Cruzou o passo do adeus; foi camperear no outro mundo uns sonhos que foram meus. Eterno pediu pousada no galpão grande do céu; quando mateou com São Pedro Eterno tirou o chapéu.
Se aquerenciou mui depressa na estância grande de cima, mas quem ficou aqui embaixo ficou sem voz e sem rima. Chorou saudades de filho engoliu sofrimento de pai; amargurou a prendinha que não sorriu nunca mais.
E aquela “cosa tão buena” que eu chamava de amizade, eu risquei do dicionário e troquei pela saudade. Mas não enferrujei a alma e tristeza nunca quis, pois Eterno tinha a essência natural de ser feliz.
Quando chegar o meu dia vou encontrar o Eterno para matear as lembranças cevadas noutros invernos. Quando eu morrer de novo vou te abraçar simplesmente, pois quem tem amor no peito vai viver eternamente.