O Galpão e o Poeta
I Na frincha aberta, a força do Minuano conta histórias de um tempo que descansa, no escombro da parede e na lembrança, de um mundo onde o futuro não faz planos!
Ali, já se fizeram, soberanos, valores sem temor ou temperança e o galpão, lugar de abrigo e confiança, foi maragato e foi republicano!
O tempo envelheceu o seu cimento e, por não ter nenhum ressentimento, já foi lhe ataperando, sem receios…
Hoje o galpão, cortando os seus lamentos, chora o sereno em tantos vãos momentos e a mais ninguém precisa ser esteio!
II A carne dos tijolos feneceu e os olhos dos portões foram fechando… A boca da lareira foi secando e o pé do cavalete se torceu!
Um tempo novo veio e se esqueceu… Da sua imponência, foi restando vestígios de saudade, degradando, ao passo que o progresso aconteceu!
A voz dos ventos que - por vezes - grita e se debate, numa angústia aflita, é o próprio brado que faz o galpão…
Que - por socorro, sempre - solicita pra que um poeta pare e, então, reflita o quanto fere a sua solidão!
III Galpão, somos iguais, eu te confesso! Tu sentes tuas forças diminuídas e eu trago tantas mágoas reprimidas e, ao poço das lamúrias, me arremesso!
Galpão, em ti, viver já me interesso pra, enfim, que as nossas penas, divididas, cessem a dor que, em nós, se faz sofrida e que as desilusões tenham recesso!
Eu me encontrei, ouvindo a tua história, pois trago cicatrizes e memórias que o tempo desbotou nas primaveras…
A vida é uma passagem transitória que oscila entre derrotas e vitórias e alterna as plenitudes e as taperas!