Meus Pingos de Lei – Cândido Brasil
Poemas Para a Infância - 10º Celeiro da PoesiaPublicado em
Gaúcho flor de campeiro, assim nasci e me criei, tendo meus pingos de lei na forma, o tempo inteiro, meu primeiro companheiro de cavalgata pacata, que não aceitava bravata e acelerava no trote, firme sobre o serigote, foi a perna do meu tata.
Cresci piazito taludo na dura lida de campo, me grudava feito grampo no lombo de um crinudo, fui ginete macanudo dos que grudado não cai, carrapato que se vai peleando ao Deus dará, meu melhor pingo de piá foi o pescoço do meu pai.
Nesta infância campeira lidando com redomão, de rédeas firme na mão tropeio a tarde inteira, de a cavalo na porteira sentando espora e porrete, sou jóquei e sou ginete voando alto do chão ou na pista do galpão galopando cavalete.
Quanta tropeada malina com firmeza na alcatra, na ponta ou na culatra numa troteada teatina, vendo o esvoaçar da crina, sentindo o vento na cara na estrada que escancara o ofício de tropeiro, numa tala de coqueiro ou pedaço de taquara.
Vivo em cima dos arreios equilibrando o espinhaço, soltando tiro de laço em pelados de rodeio, deixo mascando no freio meus pingos de ocasião: um tonel meio cilhão, o cachaço e o carneiro, o cabrito e o terneiro, que comem na minha mão.
Assim vivo na estância tiflando a campo fora, o tirim da minha espora faz eco pela distância, marcas da minha infância são meias luas que deixei gravadas por onde andei, sem nunca levar um tombo enforquilhado no lombo destes meus pingos de lei.