MORTO... AGORA VIVO O PROSCRITO
Publicado em
Eduardo Mendes - Serrote
Sem dor, lamento ou porque... morreu por chegar a hora... Agora na paz perene de um sono bueno e profundo o pobre andejo dormia já sem ter magoas do mundo...
Livre... Livre dos tombos da vida! Livre das léguas dos anos e amargas da existência...! Tendo apenas por parceiro um tostado malacara viveu de estância em estância sem ter raiz nem querência...
Por ter fama de errante com calúnia maldizente era sempre repudiado... Restava encurtar distância sem estar indo nem vindo mal visto, vago e sem rumo...
... muitas vezes ranchos fartos lhe negaram um fiambre... ... judiado pelos caminhos acostumou a sofrer, mas no vazio de ser nada quantas vezes indagou qual a razão de viver...?!
Não lhe alcançavam um mate... não lhe cediam um pouso... não lhe justavam pra lida... não lhe estendiam a mão na chagada ou na partida, sem permisso pra falar nem pra implorar um sorriso...
E era bueno... era bueno sim... quase sempre famulento nuca comeu do alheio... - Poncho poido de invernias... - Bombacha a muito rota... - Chapéu furado na copa... - Arreios já remendados... Desprovido, miserando necessitado de tudo... Arrastando a realidade de sua fama de errante.
Nunca teve sonhos... por fracassado e proscrito não aprendeu a sonhar. Amores por certo teve mas perdeu-se por um só e mesmo sendo vaqueano nunca mais achou o rumo...
E os erros imcompreendidos? E o ferro em brasa no couro por inocentes motivos...? E o rubro sangue estanque esvaído nos caminhos?! E as tormentas interiores, com estocadas de espinhos?!
Por isso agora livre...! Sem mendigar um aceno... Sem a changa pela bóia... Sem andar só e sem razão...
Ninguém chorou pelo tal, se o pobre era “mui solo” quem choraria por ele...?
O tostado malacara ficou por perto das casas depois por perto da cruz... Relinchando vez por outra - Único choro talvez...!