O Velho
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Velho, sem retovos, genuíno na retina dos espelhos. Só o velho é sempre novo porque o novo imita o velho!
Mesmo a guitarra é sofrida se é o novo que a embala sem a vivência das mãos... O velho, não... O velho a toma no colo e com a vida nos olhos tece carícias de amante pra encantar a solidão.
Não existe velho, velho pois a geada nos cabelos é só mais um documento assinado pelo tempo. Os dias se acumulam tingindo de luz o velo... O moço que muda o mundo, Que de todo viveu tudo só então pode ser velho.
Os anos são que nem livros guardando sabedoria pras futuras gerações, e a memória, um arquivo onde quem sabe estar vivo vai buscar informações. Por isto é preciso fibra, por isto é preciso zelo, não é porque o corpo cimbra que um homem fica velho.
Há tanto guri já velho e tanto velho, guri... Tanto moço absorto que nem sabe que está morto mas já deixou de existir... Há tanto guri já preso Nessas drogas por aí E tanto velho bem teso ensinando ao desprezo... A arte de ser guri.
Velho não é o morto mas é tudo que está pronto, o que a vida aperfeiçoou... Pois é somente a vivência que vai moldando a experiência para transpor os estorvos. É na idade mais nobre que o moço velho descobre que só o velho é o novo.
Veja o exemplo das vinhas sorvendo luz das auroras pra cor que o vinho vai ter. Guardando a brisa que toma para aviar o aroma que vai gerar o buquê. Formando com o sol e chuva todo o segredo da uva que vai amadurecer. E tudo só para a messe... Pois só depois que envelhece é que o vinho vai nascer.
O novo nasce do velho Em tudo quanto se cria, na música, na poesia nesse modismo do povo... O velho nunca envelhece pois sempre reaparece pra novamente ser novo. O moço é a vaidade Em busca da perfeição, A coragem, o fascínio, É a força sem domínio É a chama da paixão.
O velho, não... O velho é o esplendor, é vinho que está maduro, a ciência que o futuro a gente faz no presente é mais amor que desejo por saber sentir num beijo o que só um velho sente... O velho é vida repleta, é a obra já completa, é a vivência total, a total sabedoria de se viver cada dia como se fosse o final.
Feliz do moço mais belo que conheça algumas rugas, pois a vida não se aluga ela é um dom de Deus... Feliz do moço que chega onde a idade se aconchega Num par de olhos nublados. onde a vida nos ensina a anda pelos escuros... Que importa não ver futuro quem, mesmo, de olhos fechados enxerga todo passado onde escreveu sua história. É bom que se deixe escrito que ser moço é ser bonito mas ser velho é uma vitória!