O ESPELHO EM TRÊS MOVIMENTOS
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a cor da liberdade da janela; ninguém conseguirá passar por ela buscando o outro lado desparelho!
Por mais que seja pura e cristalina a água que o espelho me revele, jamais há de molhar a minha pele ou, mesmo, de alagar minhas retinas...
Por mais que tenha os traços do meu rosto, o espelho nunca sente os meus desgostos, nem sabe do que sei ou desconheço...
Às vezes, num momento de conflito, esqueço em qual dos lados eu habito e encaro a minha vida pelo avesso!
No espelho um outro mundo está contido, e um prisma virtual se desenvolve; que toma a nossa imagem e devolve o nosso dia-a-dia, repartido!
Um mundo prisioneiro das molduras, que conta, refletindo, os seus segredos; e estampa, na expressão dos nossos medos, o amor, a ira, o ódio e a ternura...
Porém, mesmo na inércia de seus dias, embaça de tristeza ou de alegria, e fala no silêncio a sua voz...
O espelho é um outro mundo que se espalma e, embora o aço frio de sua alma, é quase tão humano quanto nós
O espelho é muito mais que um outro mundo... Bem mais que uma janela intermitente! Pois esses dois espelhos, frente a frente, parecem um só túnel tão profundo!
Enganam meu olhar com ilusões e, humanos, os espelhos sentem sede... Talvez, por isso, escavam nas paredes um poço de incansáveis dimensões!
E, unidos, dois espelhos paralelos, projetam e acorrentam, com seus elos, a imagem do infinito refletido!
Produzem, dois espelhos confrontados, inúmeros reflexos trocados e, enquanto engolem, vão sendo engolidos!