Alma em Verso
Poesia

Ausência

Rodrigo Canani Medeiros

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Coisa triste, meu parceiro quando a ausência de um amigo se faz assim, permanente, quando a gente se dá conta que perdeu um companheiro pra nunca mais encontrar...

Coisa triste, meu parceiro quando se vê que a semente que germina nestes tempos já não é da mesma cepa, já não tem a mesma estirpe da árvore que secou.

...e o gadanho do destino tem ceifado, ultimamente, muito além dos seus limites, está voraz, demasiado...

Se foram, rapidamente, mãos espalmadas de um guia, ouvidos de maçanilha, vozes fortes prá poesia, abraços de um domador!

O ritual de despedida é triste por tradição mas a ausência sentida nas luas que se sucedem é uma lámina inclemente, que caminha, vagarosa, pelas entranhas da gente. Uma cadeira vazia um sapato carunchado, um lenço, o chapéu surrado, um cusco meio extraviado, a cuia de chimarrão... São certezas da partida sofrenando o coração.

E há um remorso incessante por quanto tempo perdido, por quanta distância vã, por não ter aproveitado tanto momento possível, pelas palavras não ditas, pelos abraços contidos.

O acordar de um sonho que reuniu os parceiros é de um vazio inquietante! Mas lembranças peregrinas chegam trazendo a cabresto sorrisos inconscientes e orgulhos de um companheiro.

E este afago imáginário que aparece de repente não surge à toa, por certo, traz consigo a desconfiança de que aquele amigo ausente anda por ai, sorrateiro, nos velando de soslaio.