O Lobo
I O lobo que há em mim está dormindo, mas tem ouvidos bons e sono leve! Espreita, pelas sombras, quem se atreve a entrar em seus domínios, insurgindo
o olhar de fera oculta! Pressentindo o ataque inesperado, então, se inscreve no instante, embora trágico, tão breve que vem da Era do Gelo, evoluindo!
Há um lobo no meu sangue, nos meus ossos... Um velho predador e seus destroços, butim que já faz parte do guerreiro!
Desvencilhar-me dele, eu já não posso! Assim, tudo o que é meu, conto por nosso... Embora nunca sei seu paradeiro!
II O lobo que há em mim é sorrateiro... Nem mesmo eu o conheço ou intimido! O instinto que lhe acorda é incontido e o tempo em que me habita é passageiro!
É um lobo que me toma, por inteiro... Que passa, em grande parte, suprimido; e ecoa, no meu corpo, o seu gemido, de lobo, envolto em pele de cordeiro!
Num súbito repente, em aspereza, traz fogo aos olhos, mostra as suas presas que rasgam, dilaceram, trucidando...
E, embora, eu o renegue, com certeza, eu sei que voltará, das profundezas, eu só não sei porque, nem onde ou quando!
III
O lobo que há em mim, vive espreitando... Selvagem, não se mostra ou anuncia... Tem vez que a própria alma se arrepia ao ver sua presença se chegando!
Então ele me assume, sem comando! Meus dedos viram garras que ele afia e toda a ira que, antes, reprimia escapa dos confins que fui cercando...
Pra onde ele se vai depois que cansa? Não sei, tampouco guardo na lembrança... De onde vem, nem mesmo, eu tenho ideia!
Será só um que vem, desde criança? Um lobo só, um dia a vida amansa! Talvez exista em mim, uma alcateia!