HORAS DE MATE
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À cara do mundo, fechada em carrancas; Com rugas na testa, empoem dia á dia, Pesados tributos, aos seus inquilinos!
Consome energia; e retira do tempo Alem da harmonia, das tardes cilentes E toma de assalto, os raios de sol; Que já foram para todos Nos tempos de antanho!
E o mate que cevo, me traz esperança; Do verde do campo, me espira o sereno No dizimo de prece maneia os ponteiros; Dos loucos relógios que giram com pressa, Tal qual cata ventos; em meios as tormentas!
O corpo reclama; tamanha cobrança, E grita bem alto seus cantos de guerra! As veias são lerdas, estradas estreitas Por onde se arrastam carretas de vida!
Os braços são dores; e dedos existem, Apenas pras teclas, que infestam as sombras Da grande cidade!
E o mate que sorvo, me cala a garganta; Entranha no sangue, levando o calor Do quente do fogo pro fundo da alma!
Dissolve os espinhos, travados em mim; Liberta o meu peito pra brisa do mato; Que ainda se esgueira por entre as vielas E ruas tranqüilas!
Desperta a consciência em luzes dos rumos; Pras pernas inertes então num repente; Renascem as mãos qual broto que estala; Do campo queimado!
E as vozes que ouço, me trazem noticias; Das gentes insoles de falta de amor, De doença mesquinha que às vezes parece; A todos atinge!
De grande carreira, que cega às pessoas; Com brilhos furtivos de falsos metais! E o no meio da cancha, que seja interesse Poder e mentira, finesse amizade Falece a confiança!
E o mate que sirvo, carrega com sigo; A fé e a verdade, das palmas das mãos, Divide esperanças; de novos caminhos!
Com dias que exalem, perfumes de infância E noites que espelhem todo o bem querer, Oferta pra todos; um naco da alma; E lança na terra sementes de amor!
Quisera pudesse, esse tanto de gente; Sentar para um mate! A beira do fogo; sem nada à falar, Apenas mirar no fundo dos olhos; Do outro da outra, deixando o relógio, Seguir o compasso de seus corações!
A cara do mundo, sorriria por certo; E as rugas severas virariam aos poucos, Caminhos de paz!